SFP - Como foi seu começo no jiu-jitsu?
DE LA RIVA - Eu comecei em Janeiro de 1980, quando tinha acabado de completar 15 anos. Na verdade, esse foi o meu presente de Natal. Eu e meus irmãos entramos na academia do Orlando e conhecemos o Marcos Vinícius Macedo Soares, aluno do Carlson.
Em seguida, fomos para a academia do Carlson Gracie. O meu amor pelo jiu-jitsu foi crescendo gradativamente. Eu passei a audar o Carlsosn na academia dele e fui-me graduando até chegar na faixa preta, quando lancei minha marca e abri minha academia. Quando cheguei, eu era faixa azul.
SFP - Nessa época, você já pensava em ser professor?
DE LA RIVA - Nunca. Foi tudo por acaso. Eu pensava em treinar e fazer um esporte para me defender. Meu pai colocou a mim e aos meus irmãos no jiu-jitsu, porque uma vez, estávamos na praia e tentaram bater na gente. E já nessa época, se falava muito na eficiência do jiu-jitsu.
SFP - A sua guarda ganhou fama e você tem atletas peso leve e pesado muito bons na guarda. A que se deve isso?
DE LA RIVA - É muito fácil você colocar uma pessoa leve para passar uma guarda. Já para um atleta de 100 kg fazer guarda é mais difícil. É importante ter flexibilidade. Por eu ter uma especialidade em defesa de guarda, isso facilita o ensinamento.
SFP - O Minotauro e o irmão dele, o Minotouro, são faixas pretas seus. Eles estão no topo do mundo e estão mostrando, sempre, a guarda ofensiva. Você acredita que todo esse sucesso se deve ao treinamento que eles tiveram?
DE LA RIVA - Isso se encaixa perfeitamente. É lógico que eles têm uma habilidade natural, o que os ajuda muito. Obviamente, eu tenho alguma influência nisso, mas o mérito é deles. Eu mostro a posição e eles juntam o útil ao agradável.
SFP - Há um bom tempo, você tem realizado muitos seminários em outros países. Qual seria a sua opinião em relação a difusão do jiu-jitsu no exterior?
DE LA RIVA - Eu apresento seminários, para pessoas que tenham interesse em conhecer o meu estilo de luta. Estão presentes, além de praticantes e lutadores profissionais, pessoas que nunca praticaram jiu-jitsu. Muitas delas acabam gostando.
Eu acredito que a tendência é que, com a expansão dos seminários, o esporte ganhe mais adeptos.
SFP – Alguma vez, você imaginou que, criando um estilo próprio, muita gente iria gostar e até mesmo adotar esse estilo?
DE LA RIVA - De jeito nenhum. O “gancho de la riva” surgiu por acaso e foi isso que me projetou. Sempre que vou apresentar um seminário, o pessoal já sabe que vou falar bastante sobre defesa de guarda e mostrar uma demonstração.
SFP - Que tipo de exemplo você costuma passar para seus alunos?
DE LA RIVA - A postura de um professor deve ser a melhor possível. O dojô acaba tornando-se um lar para muita gente. e muitas vezes, o professor acaba virando referência. Portanto, é fundamental que esse professor tenha caráter e saiba conduzir diversas situações.
SFP - Você acredita que o jiu-jitsu é um esporte que proporciona equilíbrio?
DE LA RIVA – Certamente. A gente sempre tenta melhorar e eu procuro me equilibrar da melhor forma possível, dividindo o tempo entre família; trabalho, esporte e alimentação.
SFP - Quantos alunos, aproximadamente, têm hoje na sua academia, em Copacabana. E quantas filiais existem no Brasil e no exterior?
DE LA RIVA - Em Copacabana, tem cerca de 120 alunos. No Brasil, há filiais em Porto Alegre, Florianópolis; São Paulo; Salvador; Maceió, Belém, Rondônia e outros estados, além de ter outras filiais no Rio de Janeiro. No exterior, existem academias De La Riva nos EUA; na França e na Espanha.
SFP - Você tem gratidão por alguém na sua vida profissional?
DE LA RIVA - Em primeiro lugar o meu pai (que me colocou no jiu-jitsu) e em segundo a Carlson Gracie, que me ensinou tudo que sei. Ele era um treinador duro e incomparável.
Entrevista concedida pelo portal Faixa Preta.