Entrevista publicada na Revista Pegada – Edição 12
Moisés Gibi
Nome: Moisés Batista de Souza “Gibi”
Naturalidade: Recife - PE
Idade: 33 anos
Faixa preta desde: 2004
Modalidade: Muay Thai
Equipe: Gibi Thai
Cartel: 44 Lutas - 40 vitórias e 4 derrotas
Principais Títulos: 4 vezes Campeão Mundial, Intercontinental, Sul-americano, 03 vezes Campeão Brasileiro, 04 vezes Campeão da Super-liga Européia, campeão do Desafio Brasil-Japão, entre outros
Patrocinadores: Haiti Tatames, Tattoo Clinic, Academia Oficina, Eckõ Unltd
A primeira pergunta sempre é: como e quando você começou a treinar?
Desde moleque eu sempre gostei de lutas, assistia as lutas na TV e ficava pensando que um dia gostaria de ser lutador. E assim que completei 16 anos fui numa academia para praticar Muay Thai e treino até hoje.
Quem é o seu mestre?
Treinei com o Edson de Souza, mas quem me formou foi o Ney Aquilar.
Você se lembra como foi a primeira vez que subiu no ringue para lutar (amador), e contra quem?
Se eu não estou enganado foi no ano de 1990, lutei contra uma cara da praia, fiz três lutas na noite e ganhei as três por nocaute. Lutei com dois brasileiros e um alemão que era campeão Mundial, esse cara já havia lutado com Andy Hug. Para mim foi um evento com os melhores do peso.
Quem são os seus ídolos no meio da luta?
Têm vários, por exemplo, o Tyson, o japonês Massato, Cro Cop, Anderson Silva .
Hoje muitos atletas de luta em pé ou no chão estão partindo para o MMA. O que você acha disso? Você pensa em lutar MMA algum dia?
Eu acho que o Brasil tem muitos atletas bons, tanto em pé ou no chão, isso é legal para abrir as portas para o mundo das lutas fora do Brasil e dar mais oportunidades para essa molecada que está começando agora. Quanto a lutar MMA, acho que já estou ficando meio velho para começar tudo de novo... Risos.
Como surgiu a Gibi Thai, e a sua parceria com o Renato da Academia Oficina?
A Gibi Thai começou da união de alguns lutadores como Ery, Chico, Fabinho, Pamplona, NB, Janio, etc. Nenhum de nós agüentava mais a dependência de um ou outro cartola para lutar, formamos uma associação e treinávamos muito em um ambiente muito legal entre amigos. Embora estivéssemos crescendo, muitos de nós não tinham condições de sobreviver somente das lutas, foi então que resolvi montar uma academia. O Renato foi fundamental para transformarmos este sonho em um negócio, pois ele tinha experiência administrativa de 20 anos como gerente. Começamos bem pequenos, somente com um ringue. Mas, com o forte marketing do Renato e a parte técnica dos lutadores, conseguimos crescer muito e hoje estamos em várias cidades do Brasil, com mais de 60 lutadores e milhares de alunos. Todos com a nossa forma de trabalhar e seguindo a nossa filosofia. Hoje a nossa maior dificuldade é que estou viajando muito e está difícil atender às dezenas de solicitações para a implantação da equipe.
Como foi ganhar um Título Mundial no berço do Muay Thai?
Acho que foi o topo da minha realização pessoal. Estou mais estimulado a lutar e com certeza vou ajudar, acompanhar e formar os atletas da equipe, como por exemplo o Hoost, o Banha, o Pamplona, Galheta, Mancha, enfim, todos os que já vem demonstrando seu valor e, principalmente, vários moleques muito novos que vão despontar daqui uns 05 anos.
Você considera que esta seja a consagração de uma carreira vitoriosa ou vem mais por aí? Quais são seus planos?
Não consigo parar de lutar, Muay Thai é a minha vida, meu sócio quer montar um seminário e outras academias, mas eu sempre falo “só mais um ou dois anos de luta”. Eu gosto é do ringue, da trocação pura. A galera quando assiste meus treinos com o Pamplona não acredita, é para apagar mesmo, e já faz 16 anos neste mesmo ritmo.
Já tem alguma previsão de quando vai defender o título?
Tenho que pôr este titulo mundial da Tailândia até março. O Renato já está tentando trazer a luta para o Brasil, no Balada Fight e parece que é um atleta espanhol que vai lutar pelo meu cinturão.
Você é um dos dois únicos atletas brasileiros a conquistar este título na Tailândia, o Cosmo Alexandre foi o primeiro, inclusive faz parte de sua equipe. Conte-nos um pouco da sua amizade com ele.
O Cosmo abriu as portas na Tailândia. Moramos praticamente juntos no mesmo prédio, a sua esposa Carol é muito minha amiga também. Aliás, acho que a maior qualidade da Gibi Thai poucos conhecem, que é a amizade. Nunca ninguém brigou e estão sempre com a equipe. Talvez o Cosmo siga outro caminho, mas a equipe é muito grande e principalmente muito unida.
Com certeza muitos leitores da Pegada são seus fãs e admiram o seu trabalho. Deixe uma mensagem para essa galera.
Primeiro agradeço a todos que me ajudaram de alguma forma a realizar meus sonhos. Tudo que construí foi com a ajuda de muitas pessoas, amigos e alunos. Depois eu gostaria de afirmar: treinem, treinem muito e não percam tempo com as babaquices, com os comentários da internet, etc. Os verdadeiros lutadores se respeitam e admiram o potencial de cada um. Como em qualquer profissão, a minoria é infantil e inventam coisas para aparecer.
Quero agradecer meus patrocinadores e parabenizar a Pegada pela lisura de suas matérias, imparcialidade e informação simples e direta do esporte, que tem nos ajudado muito.