Entrevista publicada na Revista Pegada – Edição 13
Barbosa
Nome: Marco Antonio Barbosa
Naturalidade: Araçatuba - SP
Data Nascimento: 01 de Agosto de 1968
Peso: 67 Kg
Modalidade: Judô, Jiu-Jitsu
Equipe: Barbosa Jiu-Jitsu
Faixa preta desde: Judô - 1986 / Jiu-Jitsu - 1998
Principais Títulos:
3 x Campeão Brasileiro, Campeão Pan-Americano, Vice-Campeão Mundial, 4 x Campeão Internacional Máster e Sénior, 5 x Campeão do Circuito Paulista, 5 x Campeão do Campeonato Paulista, 3 x Campeão Absoluto do Circuito Paulista, 3 x Campeão Absoluto do Campeonato Paulista
Patrocinador: Koral Kimonos
Qual foi a sua primeira arte marcial e quando foi que você começou a treinar?
Comecei no Judô em 1981.
Como e quando começou a treinar o Jiu-Jitsu?
Comecei a treinar Jiu-Jitsu para aprimorar minha luta de solo, pois meu objetivo era ser campeão olímpico de Judô e precisava de todos os recursos necessários para atingi-lo. Iniciei minha carreira nessa arte em 1995.
Há muita diferença entre o treinamento de Judô e o de Jiu-Jitsu? Como você fazia (e faz) para conciliar os dois treinos?
Há uma grande diferença, pois o esforço físico exigido no Judô é de muita explosão e, conseqüentemente, muito anaeróbio, mas, por outro lado, se assemelham muito no que diz respeito à resistência e isometria, é muito mais exigido no Jiu-Jitsu. Para mim, a adaptação ao jiu-Jitsu não foi tão complicada, pois dentro das qualidades físicas, a velocidade e, conseqüentemente, a explosão, não são o meu forte. Eu fazia uma luta muito movimentada e, para compensar essa falta de velocidade, acabei então desenvolvendo mais a minha resistência e persistência. Dentro deste quadro, eu consegui desenvolver e continuar desenvolvendo, junto com meus alunos, o que mais gosto de fazer: lutar!
Como foi a sua ida para a antiga equipe Godói/Macaco?
Quando começamos todos nós éramos Companhia Paulista, mas os horários de treino na qual eu freqüentava eram dadas pelo Godói e pelo Macaco. Na época eu não entendia muito bem como é que rolava dentro da modalidade e dentro de um grupo. Quando eles se desvencilharam, parti junto com eles, pois era a grande referência para mim.
Depois da separação, muitos ficaram com o Godói e outros com o Macaco. E você?
Eu saí da equipe um ano antes da separação. Para mim foi duro, pois este grupo na época era o melhor que havia em São Paulo e um dos melhores do Brasil mas, por motivos profissionais, tive que deixar este grupo maravilhoso, do qual tive orgulho de participar.
Como surgiu a Barbosa Jiu-Jitsu?
A Barbosa Jiu-Jitsu surgiu a partir da minha saída da Godói/Macaco em 2000.
Qual é o título mais importante na sua vida?
Foi quando eu ganhei minha vaga de titular na seleção Brasileira de Judô. Este momento foi de grande alegria, pois era uma das metas almejadas para conquistar o meu grande sonho olímpico. Porém a minha vitória no I Internacional de Máster e Senior, contra o Royler, mudaram e redirecionaram a minha vida profissional dentro do Jiu-Jitsu.
Qual foi a sua experiência mais produtiva em termos de aprendizagem?
Foi num estágio de dois anos na universidade de Tenri, no Japão, onde passei pelo período mais produtivo da minha carreira de lutador. Lá eu tive que aprender a língua, aprender novas situações de luta e reaprender alguns conceitos em relação à sociedade japonesa e em relação ao próprio Judô. Foi de muita valia, pois hoje eu carrego dela condições de avaliar uma situação de varias maneiras.
Em relação a adversários, quem são os mais duros que você já enfrentou?
É difícil dizer, pois encaro todos os meus adversários como se fosse uma final. Porque se eu não passar pelo primeiro, como poderei ter a pretensão de ser campeão?
Quais lutadores você admira?
Existem vários lutadores que eu admiro e me espelho, pois acredito que todo grande lutador, independente do seu estilo de luta, tem muito a oferecer a quem gosta de aprender.
Nos dias de hoje, quais são os principais nomes do Jiu-Jitsu?
Como disse anteriormente existem vários, dentro do seu estilo de luta, que podem nos inspirar. Não dá para lutar um pesadíssimo com um pluma, por isto acredito que muitos lutadores tem muito a nos oferecer, dentro de seu leque de conhecimento.
Todos sabem que na sua equipe tem vários atletas de renome, principalmente no Jiu-Jitsu paulista. Qual o segredo?
Treinamos todos os dias, não há segredo.
Qual a sua mensagem para a galera apaixonada pelo mundo da luta?
Eu sou suspeito em falar, pois amo o que faço. O Jiu-Jitsu não é apenas competição, mas sim uma forma de se conhecer e, conseqüentemente, conhecer seu adversário, porque eu não me aprimoro para lutar, eu luto para me aprimorar e, para isto, eu necessito do meu “amigo adversário”, pois sem ele não sou ninguém.